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Testes de câmeras

Canon EOS 60D


por Diego Meneghetti e Érico Elias, com consultoria de Thales Trigo

  • Faixa de preço: De R$ 4 mil a R$ 5 mil
  • Fabricante: Canon
  • Categoria: DSLR
  • Prós: Monitor articulado, grava vídeos em full HD
  • Contras: Autofoco lento em imagem ao vivo, empunhadura
  • Avaliação: 87 / 100

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Teste completo

A Canon EOS 60D é um bom exemplo das transformações em curso na estrutura e no desenho das câmeras digitais DSLR. Com sensor APS-C (22,3 x 14,9 cm) de 18 megapixels (MP), o modelo substituiu a Canon EOS 50D, de 15 MP,

Para essa tarefa, a 60D trouxe um avanço significativo, que é marca da atual geração de DSLRs. A diferença dessa leva de novos modelos está na incorporação definitiva do recurso de fotografar usando o monitor, tecnologia que leva o nome de Imagem ao vivo (Live view). Além de oferecer uma segunda forma de fotografar, o recurso é essencial para viabilizar a gravação de vídeos.

A EOS 60D gera vídeos em resolução full HD (1.920 x 1.080 pixels, em até 30p), tem monitor articulado de 3 polegadas, que, quando usado no imagem ao vivo, permite grande versatilidade também para o momento de fotografar. Porém, nem todos os desafios tecnológicos estão ainda equacionados no modelo. O modo de imagem ao vivo ainda tem limitações, como lentidão do foco automático.

Além de substituir a 50D, a 60D abre um novo espaço entre as semiprofissionais da Canon. Ela ocupa um papel de irmã menor da 7D, lançada em setembro de 2009: apropriou-se do mesmo sensor de 18 MP e da mesma tecnologia e resolução de vídeo, mas tem um corpo menor e mais leve, além de um processador mais limitado e de um sistema de foco automático de menor eficiência.

A principal diferença está no preço. Enquanto a 7D custa cerca de R$ 7 mil, apenas o corpo, a EOS 60D custa no Brasil por volta de R$ 3,8 mil, também sem objetiva. Com isso, a Canon oferece uma segunda opção de semiprofissional com sensor de formato APS-C, significativamente mais barata e ainda sim recheada de recursos avançados. A 60D conta ainda com o grip BGE9, que dá maior autonomia à câmera.

 

 

Engenharia e design

Com corpo pesando 755 gramas (bateria inclusa), a 60D parece ter atingido o peso ideal para uma semiprofissional, pois não é tão pesada a ponto de exigir muito do fotógrafo e também não é tão leve a ponto de prejudicar a estabilidade na hora do clique. O chassi de alumínio foi decisivo para diminuir o peso do modelo, que não perde com isso a solidez e o bom acabamento. Um dos fatores que não agradaram muito foi a empunhadura, cuja saliência não é suficiente para abarcar comodamente a mão.

Canon60D_engenharia

Outra mudança que contribuiu para as menores dimensões da EOS 60D foi o fato de o modelo passar a usar cartões de memória no padrão SDXC. As diferenças para o cartão Compact Flash, no entanto, não são significativas se levado em consideração que as velocidades e capacidades oferecidas pelos dois padrões são equivalentes.

A 60D traz saídas HDMI, áudio/vídeo, para microfone externo e para cabo disparador. Conta com sapata para flash compacto, mas carece de contato PC para flash de estúdio. A alavanca de acionamento da câmera está bem posicionada, na parte superior esquerda, logo atrás do disco de seleção de modos de exposição. Este apresenta um aspecto negativo: a necessidade de apertar um botão no centro do disco para destravá-lo. A 60D conta com 14 modos de exposição, mais o modo vídeo. O aspecto menos profissional do modelo pode ser percebido nessa profusão de modos automatizados.

Um dos avanços da 60D é o monitor articulado de 3 polegadas, com resolução de 1 milhão de pontos e superfície com dupla camada antirreflexo. O monitor apresentou bom desempenho na luz do dia. A alta mobilidade oferecida pela articulação com o corpo da câmera garante grande versatilidade para fotografar.

Um aspecto que incomoda é a forma como o monitor se encaixa na parte traseira da câmera. Pelo fato de ficar ligeiramente mais saliente que o resto do corpo, o monitor fica em contato direto com o rosto quando o usuá­­rio fotografa usando o visor. A impressão de que o suor do rosto se imprime diretamente sobre o monitor parece maior do que em modelos que não têm monitor articulado.

O monitor da 60D pode ser fechado, ficando, assim, protegido. Porém, esta posição cria um constante “mal-estar” em quem está acostumado a sempre recorrer ao monitor, para conferir as fotos ou acessar o menu e as regulagens da câmera.

Além do monitor, a câmera conta com LCD na parte superior, que indica as informações essenciais para regulagem, como modo de foco, modo de exposição, espaço restante no cartão e energia restante na bateria. É de se destacar o fato (negativo) de o LCD não exibir informações sobre o formato, a qualidade e a resolução das imagens geradas.
Interface

Na EOS 60D, o usuário pode acessar as regulagens da câmera também pelo monitor, que acaba sendo mais prático do que o LCD. A Canon inseriu ao lado do monitor um botão Quick Control, que permite acesso rápido às principais configurações, simplificando os ajustes.

Canon60D_interface

Ao apertar o botão Info, o fo­tógrafo também tem um resumo de todas as regulagens, sem poder, no entanto, alterá-las. Ao apertar uma segunda vez esse botão, a câmera exibe o horizonte virtual. Há ainda uma terceira tela, que dá acesso às configurações.

O sistema de navegação pelas imagens captadas no modo de exibição da 60D é fácil de usar e completo. Ao girar o disco ao lado do monitor, passa-se de uma imagem a outra. Na parte superior direita da traseira da câmera estão os botões para aumentar ou diminuir a magnificação das imagens exibidas. Botões internos ao disco de navegação permitem “viajar” dentro da imagem, se ampliada no modo zoom.

A forma de deletar imagens poderia ser simplificada. Para isso, são necessários três passos e o botão da lixeira encontra-se distante do monitor, na parte superior esquerda da traseira da câmera.

Modo de medição, sensibilidade ISO, modo de foco e modo de disparo são facilmente alterados por meio de botões situados na parte superior direita da câmera, ao lado do LCD. O que poderia ser facilitado também é o acesso à qualidade de imagem e ao formato de arquivo gerado pela câmera, que demanda entrada no menu rápido para alteração, não havendo um botão para acesso direto.

Também via menu é possível acessar recursos de pós-processamento, com opções como filtros criativos, redimensionamento de fotos e conversão de RAW.

 

Modo imagem ao vivo

Por ser uma câmera SLR, o recurso mais inovador é a incorporação do modo imagem ao vivo, que permite fotografar usando o monitor. O espelho é levantado e a imagem exibida no monitor é captada e retransmitida ao sensor da câmera. O sistema tem algumas limitações, mas também traz vantagens, se comparado à forma de fotografar usando o visor.

A principal limitação está no foco automático, baseado em uma região central, com precisão e velocidade vacilantes. A lentidão para chegar ao foco às vezes tira a paciência de quem está acostumado a fotografar usando o visor. A 60D dispõe ainda de foco automático com detecção de rosto, projetado para otimizar o foco e a medição de luz em retratos. Também neste caso, a lentidão atrapalha.

Para contar com um modo mais eficiente e rápido de autofoco no modo imagem ao vivo, a Canon desenvolveu um sistema híbrido, que permite usar os nove pontos de foco, mas que funciona de maneira pouco prática. É preciso apertar meio botão para que a câmera encontre o foco e, só então, possa fotografar.

Como ocorre normalmente nos sistemas de imagem ao vivo presentes nas DSLRs, há um pequeno intervalo entre o momento do clique e a captura da imagem. Até que a câmera esteja pronta para uma nova foto, também há um ligeiro hiato, o que não ocorre com a visão literalmente “direta” proporcionada pelo visor convencional.

Além disso, a fabricante adverte que o uso prolongado do modo imagem ao vivo pode causar um superaquecimento da câmera, que para de funcionar até que o sistema seja resfriado.

Contudo, ao fotografar usando o monitor, o usuário ganha enorme versatilidade de pontos de vista. A mobilidade do monitor permite enquadrar olhando abaixo e acima da linha dos olhos. A câmera não precisa mais estar colada ao rosto do fotógrafo, que passa a fotografar também com os braços estendidos, com boa percepção do enquadramento.

Por se tratar de uma retransmissão eletrônica, o sistema imagem ao vivo oferece visualização direta do resultado final, em termos de exposição. Outras vantagens do sistema são as possibilidades de ampliar a área central de foco e de escolher a área de medição de luz no enquadramento.

 

Outros recursos

O usuário, claro, continua com a opção de fotografar pelo visor de pentaprisma. O sistema de foco automático convencional está baseado em nove pontos de focalização e apresenta ótimo desempenho, com a opção AF Servo, para acompanhar temas em movimento.

A 60D oferece dis­paro contínuo de até 5,3 imagens por segundo, limitado a uma sequência de até 58 fotos em JPG ou até 16 em RAW. Após a captura sequencial no formato bruto, a câmera pode demorar alguns segundos para processar as imagens. A 60D tem o mesmo processador DIGIC 4 da predecessora 50D, mas o ligeiro aumento de resolução de um modelo para outro acarretou menor desempenho no disparo contínuo.

Um bom recurso da 60D é a possibilidade de gerar imagens em RAW em três opções de resolução, 18 MP, 10 MP e 4,5 MP. Assim, ninguém é obrigado a usar a máxima resolução quando quer fotografar em RAW. No formato JPG, há cinco opções de resolução: 18 MP, 8 MP, 4,5 MP, 2,5 MP e 0,3 MP.

Os formatos de vídeo oferecidos são três: 1.920 x 1.080 pixels em até 30p, 1.280 x 720 pixels em até 60p e 640 x 480 pixels, em até 60p. O modo vídeo não conta com foco automático contínuo. É possível refazer o foco conforme o enquadramento é mudado, mas o resultado não é satisfatório, pois a focagem é lenta e registra ruídos na banda sonora do filme. A solução é optar pelo foco manual.

 

Qualidade de imagem

Uma das opções de kit da EOS 60D é com a objetiva Canon EF-S 18-

135 mm f/3.5-5.6 IS. Essa versátil lente cobre distâncias focais equivalentes a uma 29-216 mm em câmeras de formato

35 mm, um zoom de 7,5x. O sistema de estabilização de imagem compensa as pouco luminosas aberturas máximas. Um fator positivo da objetiva é o ponto mínimo de foco, situado a 45 cm em todas as distâncias focais.

O desempenho da objetiva na posição de 50 mm aproximou-se do desempenho alcançado por uma objetiva fixa com a mesma distância focal. A objetiva perde capacidade de resolução na posição de 135 mm e apresenta visível distorção nas bordas na posição de 18 mm. De forma geral, a qualidade apresentada pela objetiva é boa, se considerada a grande variação de distâncias focais oferecida por ela.

A 60D foi testada com a objetiva em três posições: 18 mm, 50 mm e135 mm. O melhor desempenho foi alcançado com a objetiva no zoom intermediário, o qual apresentou boa relação de nitidez entre os valores medidos no centro e na periferia da lente. Nesta distância focal, os maiores resultados foram aferidos na abertura inicial, f/5, que registrou 1.978 lw/ph no centro e 1.850 lw/ph na periferia. O desempenho foi semelhante até f/8 e começou a reduzir-se somente em f/11.

Para ilustrar os efeitos da refração desta lente zoom (que tem 16 elementos óticos), testamos a 60D também com a EF 50 mm f/1.8 II (6 elementos óticos). Os resultados, mais satisfatórios, acompanham a tendência de queda de nitidez relativa a partir de f/5.6 (2.169 lw/ph) e validam a maior nitidez atingida pela objetiva fixa, a qual também garante uniformidade em todo o raio da lente, exceto nas bordas com a abertura ajustada entre f/1.8 e f/4. Nesta etapa, a melhor marca foi registrada em f/4, com 2.268 lw/ph no centro da lente.

De volta à 18-135 mm do kit, os extremos do zoom apresentaram maior diferença entre a nitidez no centro e na periferia da objetiva, principalmente em f/22 com a objetiva em 18 mm (aqui, foi registrado o menor valor na periferia da lente, 653 lw/ph).

Canon60D_nitides

A nitidez relativa do conjunto com o zoom máximo em 135 mm apresentou medidas muito baixas, que não chegaram nem à metade do valor máximo teórico. Na prática, portanto, são bem úteis o estabilizador de imagem disponível na objetiva e as predefinições que atuam justamente no aumento da nitidez.

Apesar de ter resolução pouco maior que a 50D (de 15 MP), a 60D não resulta necessariamente em maior capacidade de nitidez, uma vez que os fotodiodos sofreram redução de 10% no tamanho. Isso pode ser constatado nos baixos valores de nitidez relativa obtidos no Imatest.

O sensor CMOS da 60D oferece sensibilidades que vão de ISO 100 a 6.400, em passos de um terço de ponto, com possibilidade de expansão até ISO 12.800 via menu. O nível de ruído em ISO 6.400 é visível, mas aceitável, o que não ocorre no ISO expandido, pois há muito ruído.

Na análise do colorchecker, foram analisadas fotos feitas com alteração na sensibilidade ISO. Em todos os casos, o resultado se manteve: o sensor da câmera reproduziu quase fielmente tons de verde e alguns azuis, em relação ao original do target. O mesmo não ocorreu com tonalidades de vermelho e amarelo, que apresentaram uma tendência a esquentar. Os tons de pele (representados pelos dois primeiros quadrados do colorchecker) também foram ligeiramente carregados no vermelho (padrão RGB).

Vale ressaltar que nos testes em estúdio, tanto no registro do set quanto dos targets, o balanço de branco automático não conseguiu medir a temperatura da luz a contento. A tendência sempre foi a de esquentar a cena. A análise do colorchecker, contudo, sempre considera os valores cromáticos corrigidos e balanceados.

Canon60D_color

 

Especificações

Canon60D_detalhes

 

Ficha técnica

  • Sensor: APS-C CMOS, de 22,3 x 14,9 mm, com 18 MP
  • Monitores: 3 polegadas (1 milhão de pixels), cobertura de 100% em imagem ao vivo.
  • Visor: pentaprisma, cobertura de 96%
  • Cartão de memória: SD, SDHC e SDXC
  • Resolução de imagem: 5.184 x 3.456 (18 MP, 3:2)
  • Objetiva: baioneta Canon EF
  • Gravação da imagem: RAW (CR2, com três opções), JPG (cinco opções) e combinado RAW/JPG
  • Vídeo: MPEG-4 AVC/H.264, full HD (30p/25p/24p), HD e SD (60p/50p)
  • Balanço de branco: auto, luz do dia, nublado, sombra, tungstênio, fluorescente, flash, personalizado e temperatura de cor em Kelvin (K)
  • Velocidades: 1/8000s a 30s, modo B limitado a 32s; sincronismo de flash em 1/250s
  • ISO: auto, 100 a 6.400 (12.800 expandido), variando em 1/3 ponto
  • Perfis de cor: sRGB, Adobe RGB
  • Autofoco: 9 pontos
  • Modos de exposição: manual, automático, programado e prioridade de abertura ou velocidade
  • Disparos contínuos: 5,3 foto por segundo
  • Alimentação: bateria recarregável de lítio-íon de 7.2v, 1.800 mAh

 

Fotos com a câmera

Foto 1: ISO 800, f/8, 1/2000s, 106 mm, WB Auto

Foto 2: ISO 1.600, f/5.6, 1/800s, 100 mm, WB Auto